Por Davide Garcia

Presidente da Direção da Federação das Associações Juvenis do Distrito da Guarda

A relação dos jovens com o sistema democrático, nomeadamente nos modelos e mecanismos convencionais de participação política, constitui uma das preocupações fundamentais de qualquer ator do setor da juventude. O consequente afastamento e desinteresse por uma participação efetiva na definição de politicas e estratégias de desenvolvimento para o país obriga-nos a refletir sobre os mecanismos de fazer política em Portugal e os problemas de representação e identificação com os partidos políticos.
Se por um lado o desinteresse e imaturidade dos jovens são fortemente apontados como os principais fatores de uma fraca participação, a ausência de uma reforma efetiva do sistema, que valorize a co-gestão e desenvolva estratégias locais, sem recurso às máquinas partidárias, apenas adensa a distância entre os jovens e uma participação politica ativa.
É nos territórios de baixa densidade populacional que mais se identifica a necessidade de desenvolvimento de um plano estratégico a longo prazo, que altere o foco das políticas locais e regionais, possibilitando uma alteração de paradigma que permita aos jovens ambicionar a fixação na sua área de residência. Para o efeito, com um trabalho silencioso e muitas vezes desconhecido, o movimento associativo juvenil tem contribuído de forma constante e sustentada, sendo palco das primeiras experiências democráticas e espaço de criatividade e empreendedorismo. A participação juvenil ativa, com menos militância e mais mobilização crítica é diretamente proporcional à estabilidade que o jovem encontra quando está totalmente integrado na sociedade, quer no mercado de trabalho quer na vida familiar e social. O movimento associativo juvenil é muitas vezes a plataforma que permite, não só essa integração, como garante a estabilidade da mesma.
Percorremos o país de norte a sul e podemos encontrar nos vários municípios de baixa densidade populacional todo o tipo de instalações culturais, desportivas e sociais, muitas delas edificadas já no século XXI, com arquitetura arrojada e tecnologia avançada. Contudo, são esses os espaços que mais encontramos vazios de ideias e de pessoas. É necessária uma rápida evolução das políticas locais, regionais e nacionais, que valorizem o património histórico, cultural e natural de cada região personificado naquele que é o seu maior ativo: as suas gentes. Este é um passo fundamental para a diferenciação e crescimento sustentável de cada região que poderá permitir uma evolução demográfica mais favorável ao país e assegurar um futuro (já no presente) para as gerações mais jovens.