O início de 2017 revelou-se um período de mudanças no “Catapulta E6G”: a partir do dia 18 de Janeiro, o CREFA passou a ser, oficialmente, a entidade gestora do projeto, continuando o SOS Racismo como entidade promotora.
Esta mudança fortalecerá o trabalho em conjunto dos dois projetos, bem como a colaboração próxima com a Casa das Associações que servirá como espaço privilegiado para a realização de atividades quer do Catapulta, quer em co-organização com a FAJDP e o CREFA.
Prevê-se a criação de um espaço de colaboração frutífero e com o objetivo de continuar a trabalhar na dinamização da comunidade, através da promoção de valores de cidadania, igualdade, respeito pela diferença, inclusão social, conjugando atividades e dinâmicas de educação não-formal de, com e para jovens.

Sobre o Catapulta EG6…
O “Catapulta E6G” surgiu, em 2013, através do SOS Racismo, numa zona geográfica – centro histórico do Porto – muito estigmatizada onde predomina(va) o desemprego de longa duração e o baixo nível de escolaridade e qualificação profissional – sendo estes factores propícios à propagação de situações de pobreza, marginalidade, consumo de álcool e drogas; abandono escolar e analfabetismo; desestruturação familiar e violência doméstica.
Por outro lado, a questão da população imigrante, residente no centro histórico, ter ligação complexada comunidade, não havendo respostas diretamente focadas na população, evidenciou – aos olhos da SOS Racismo – a necessidade de uma intervenção focada nesta realidade, de modo a melhorar a inclusão desta comunidade. E que tem tido resultados positivos, como te contaremos algumas linhas abaixo.
O projeto é destinado a crianças e jovens entre os 6 e os 30 anos que vivem numa zona estigmatizada, o centro Histórico do Porto. É junto destes/as jovens que o Catapulta trabalha todos os dias ao promover a sua inclusão social e escolar, apoiando-os na construção do seu percurso escolar e/ou de cidadania, desenvolvendo as suas capacidades pessoais e sociais a partir da valorização da sua origem e identidade. O principal objetivo do projeto é promover a interculturalidade e a integração harmoniosa das comunidades residentes na área de intervenção do projeto. Para isso, desenvolvem diariamente um conjunto de atividades, não só no espaço comunitário, mas também em algumas das Escolas do Agrupamento de Escolas do Alexandre Herculano e outros espaços.
As suas principais atividades decorrem na Escola EB1Ji do Sol onde trabalham, através da animação de recreios, atividades sobre os direitos humanos, o apoio escolar entre outras com o objetivo da intervenção precoce- por um lado, a partir da educação não-formal dentro da sala de aula e, por outro, no espaço onde as crianças aproveitam para brincar.

Já a intervenção na Escola Secundária Alexandre Herculano- com a turma de Plano Curricular Alternativo (jovens para concluir o 7º ano e com historial de absentismo escolar) – consiste na dinamização de sessões que motivem os jovens à frequência escolar, tentando diminuir assim um dos problemas encontrados durante o diagnóstico do Projeto na sua 5ª Geração, o abandono escolar.
Na intervenção comunitária, realizam atividades lúdicas e pedagógicas com crianças da comunidade de Bangladesh do centro histórico-normalmente aos sábados de tarde. Algumas destas atividades têm decorrido na Casa das Associações e em parceria com a programação cultural do Storyboard. Esta relação de proximidade criada entre o projeto, as crianças e os próprios pais, reflecte uma grande conquista: com a intervenção do Projeto conseguiram desenvolver relações de confiança com algumas famílias da comunidade migrante do Bangladesh e proporcionar às crianças e jovens experiências artísticas e culturais diversificadas.
Nas suas instalações, dão apoio escolar, aulas de zumba, treinos de futebol e dinamizam o espaço CID@NET. Todos os meses, elegem um assunto para desenvolver as atividades centrais, tentando escolhê-los de acordo com a visão e objetivos do projeto (desobstrução de estereótipos, discriminação, igualdade de género, discurso de não-ódio) e temas que são importantes debater nas idades das crianças/jovens que frequentam o projeto (problemas sociais, consumos, alimentação, violência, relacionamentos, etc.). Por exemplo, em fevereiro, todas as atividades foram sobre a violência no namoro e o mês de março foi dedicado ao movimento contra o discurso de ódio com várias atividades a decorrer na Casa das Associações.
Como principais resultados- além da intervenção frutífera com a comunidade do Bangladesh- a intervenção em contexto informal dos recreios e nos espaços de aula tem permitido, paulatinamente, desconstruir preconceitos e estereótipos associados à diversidade identitária, sexual, étnica e cultural ao nível da linguagem, da convivência quotidiana entre as crianças e no próprio contexto de sala de aula.
O “Catapulta E6G” está integrado no Programa Escolhas, promovido pelo Governo de Portugal, ACM (Alto Comissariado para as Migrações) e Programa Escolhas e financiado pela Segurança Social e Direcção Geral de Educação e co-financiado por POISE (Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego) ao abrigo do PORTUGAL 2020 – Quadro de Referência Estratégico Nacional 2014/2020.
A equipa do Catapulta é constituída por Inês Carvalho (coordenadora do Projeto), Vanessa Monteiro (Técnica de Animação Socioeducativa), Patrícia Martins (Técnica de Intervenção Comunitária e Monitora CID) e Rúben Estrela (Dinamizador Comunitário).
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