A evolução da qualidade dos projetos das nossas Associações Juvenis ao longo da última década é fruto da ambição e capacidade dos seus jovens, fazendo com que consequentemente olhemos, nos dias de hoje, para o associativismo juvenil de forma bastante diferente. Se por um lado pensamos que a criação de um projeto comunitário, que todos os dias possa prestar um contributo diferenciador para sua comunidade, precisa de convergir para a profissionalização das suas equipas, por outro lado é legítimo pensar-se que o verdadeiro espírito que preside à criação de um projeto associativo, é a sua base de voluntariado e de não obtenção de rendimento por parte dos seus dirigentes, sócios e voluntários. Então torna-se legítimo entrar num debate ético por aquilo que pensamos. Será que o associativismo juvenil deverá ser totalmente puro e ter uma base completa de voluntariado? Deverá o associativismo promover a incubação de projetos que se crescerem terão uma configuração completamente empresarial? As estruturas de representantes do movimento associativo terão que adequar-se à exigência da sociedade e terem diretores Semi-Profissionais? Uma Associação Juvenil que pelo seu impacto social cresce e atinge o estatuto de IPSS, deverá continuar a ser de matriz Juvenil? Todas estas meras reflexões merecem ser consideradas, pois agora é o momento, isto porque não podemos continuar com a retórica assente num paradigma romântico, de há 10 anos atrás, em que as Associações Juvenis eram quase na sua totalidade polos de Solidariedade, Cultura e Desporto. Nos dias de hoje, as Associações e suas estruturas representantes são bastante diferentes e mais diversificadas. Contudo, esta reflexão não é fácil, pois existem questões que nos aproximam de considerar que por conceito uma organização de jovens não deverá ser profissionalizada, deverá ser até experimental, e ao mesmo tempo capaz de tentar tendo a possibilidade de errar. Mas como em tudo, quando vamos verificar a praticabilidade da coisa, ficamos com a noção de que se queremos eventos organizados com qualidade, respostas sociais adequadas e uma representação das associações institucional forte e pensada, temos que ter pessoas que se dediquem a tempo inteiro. Posto isto, o desafio da Federação das Associações Juvenis do Distrito do Porto é que pensem sobre este tema, tendo em conta a necessidade de adequar as nossas estruturas, para que possamos manter a pureza do conceito de associativismo voluntário, desinteressado e altruísta e ao mesmo tempo criar condições para garantir a qualidade, profissionalismo, a possibilidade de sermos polos de inovação estando preparados para os desafios futuros!

Pois a Juventude não espera!
Saudações Juvenis!