Na última edição da revista ASSOCIAR +, entrevistámos o novo Diretor da Agência Nacional Erasmus + JA,  Luís Alves.

1-Quais as expectativas / objectivos que tem para a Agência Nacional Erasmus + Juventude em Ação agora que inicia funções como diretor?

 

Penso que a expetativa tem que ser – e é-o genuinamente – aproximar o projeto europeu dos jovens, das organizações, dos líderes associativos e animadores de juventude portugueses, por esta via que é o Programa Erasmus+, verdadeiramente colocado ao serviço dos valores europeus, da participação na vida democrática e dos jovens.

E procuraremos fazer isso cumprindo 3 objetivos fundamentais:

Aproximar ainda mais o Erasmus+ Juventude em Ação e as suas oportunidades de todos: do norte ao sul, do litoral ao interior, do continente aos Açores e à Madeira, dos grandes centros urbanos às comunidades mais rurais e do interior. Esta presença efetiva no terreno, capacitando todos para serem capazes de utilizar o Programa e as suas oportunidades, é fundamental e tem o poder de funcionar como verdadeira alavanca de mudança e capacitação para as pessoas, as organizações e as comunidades que acolhem os projetos.

Afirmar a Educação não formal como elemento fundamental de trabalho com os jovens dos nossos dias: a história do Erasmus+, nomeadamente nos programas da área da Juventude, prova de forma inequívoca a importância vital da educação não formal para o sucesso dos projetos realizados. É fundamental que sejamos capazes de criar processos, ferramentas, conhecimento e estratégias que permitam a jovens e organizações viver cada vez mais e melhor educação não formal, potenciando as aprendizagens e valorizando-as para o seu percurso de vida pessoal, cívica e profissional.

Preparar o futuro do Erasmus+: em plena execução deste Programa – até 2020 – este é o tempo em que nos temos que focar já no desenho e na preparação do que será o futuro após 2020. Estamos empenhados em trabalhar para que se criem condições para um Programa financeiramente mais relevante, socialmente mais próximo e mais preparado para dar respostas reais às necessidades concretas dos sectores juvenis. O desafio da conjugação das quatro áreas do Erasmus+ – Educação, Formação, Juventude e Desporto – , o Corpo Europeu de Solidariedade, a cada vez mais relevante importância das experiências internacionais no perfil dos jovens europeus, a tecnologia ao serviço do programa e da simplificação dos procedimentos, a partilha de boas práticas e o impacto efectivo dos projetos na vida das pessoas e das comunidades são as coordenadas que devem orientar a nossa participação na construção desse futuro em conjunto com os jovens e as suas organizações.

2- Este ano o programa Erasmus comemora o seu 30º aniversário. Como avalia o impacto do programa em Portugal?

Parece-me consensual nos dias de hoje que em todas as suas dimensões, o Erasmus+ representa mudança, crescimento, competências, abertura à Europa e ao mundo.

Estudos recentes da Rede de investigadores que na área da Juventude – RAY Network – avalia o impacto do Programa por toda a Europa prova exatamente isto: mostra que a diversidade cultural, o diálogo intercultural e a educação não formal e informal são amplamente melhorados com os projetos; que a comunicação com pessoas que falam em outro idioma e que têm diferentes contextos culturais são substancialmente melhoradas; que os participantes ficam mais capazes de desenvolver uma ideia e colocá-la em prática, negociar soluções conjuntas no interesse da comunidade ou da sociedade, que tomaram consciência do desenvolvimento de suas competências e procuram envolver-se no futuro outras oportunidades, entre outros resultados.

3- Acredita que o programa Erasmus + beneficia a empregabilidade dos/das jovens? De que forma?

Estou convencido que sim. Porque cria condições ideais para que no desenvolvimento dos projetos de que são parte adquiram um conjunto substancial de conhecimentos nas mais diversas áreas direta e indiretamente abordadas nos projetos, porque permite a aquisição e o treino de competências diversas, desde a dimensão intercultural à gestão de conflitos, do trabalho em equipa à resiliência, das línguas estrangeiras, às TIC, permitindo que, de facto, se deixem transformar com a vivência destes projetos.

O YouthPass, que valida este crescimento em forma de competências, e cria um documento formal para poderem utilizar no seu CV, nas suas entrevistas e na sua vida profissional desempenha também um papel importante.

Numa altura em que tanto falamos de “soft skills” e da sua importância no perfil desejado pelos principais empregadores, uma experiência Erasmus+ é, certamente, uma forma muita efectiva de trabalhar esse perfil.

4- O seu percurso profissional (e pessoal) está bastante ligado ao associativismo juvenil. Como interpreta, actualmente, o papel do associativismo na participação cívica dos/das jovens portugueses/as?

 

O associativismo juvenil representa hoje um eixo fundamental da participação dos jovens na sociedade, nos seus múltiplos campos. Catalisador da energia empreendedora da juventude, o associativismo desempenha um papel formativo e pedagógico, fomentando o espírito de participação cívica e a aprendizagem democrática. São verdadeiras escolas de cidadania, espaços de participação, de trabalho em equipa, de aprendizagem contínua. Contribuem assim para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, defendendo os interesses dos jovens especialmente aqueles em situação de desvantagem social, colaborando na resolução de necessidades sociais concretas e gerando, com originalidade, novas e propostas alternativas de melhoria das comunidades. Os valores que desta forma as associações juvenis promovem – justiça, solidariedade, entrega, responsabilidade, cooperação, consciência social… – são valores irrenunciáveis para o bem-estar da sociedade.

5- Qual a importância da participação dos/das jovens nas políticas de juventude? De que forma se pode aliciar os/as jovens a participar ativamente na sua definição?

 

A participação dos jovens é elemento central e irrenunciável para a definição e implementação de verdadeira politicas publicas de juventude. Promover essa participação pressupõe mais do que apenas declarações de intenções: exige que se associe à vontade política de impulsionar políticas juvenis nos seus diferentes âmbitos, a criação dos instrumentos institucionais permanentes que as sustentem e tornem efectivas e a valorização do associativismo juvenil como elemento estruturador da participação dos jovens, dando espaço à sua criatividade e aprendizagem social. O recentemente lançado processo de construção de um Plano Nacional de Juventude tem a ambição de ser esse elemento mobilizador da implicação dos jovens e suas organizações que possa impulsionar para novos patamares de intervenção e qualidade as Politicas de Juventude em Portugal!

6- Como é do conhecimento geral, uma das novidades desta nova geração do programa Erasmus+ Já, permitiu que qualquer organização/empresa se pudesse candidatar ao programa. A seu ver, essa estratégia é acertada?

 

Essa possibilidade – limitada sobretudo à acção chave 2 –  bem como, de resto, todas as dimensões normativas, substantivas ou orçamentais do Erasmus+ Já devem merecer uma profunda avaliação conjunta, que envolva esta Agência mas também os jovens e as suas organizações. Será com base nessa avaliação e incorporando aquelas que são as expectativas, dificuldades e anseios dos destinatários do programa que nos propomos participar muito activamente no debate sobre a história futura do Erasmus + pós 2020.

Quero dizer, em qualquer caso, que esta Agência, no estrito cumprimento dos regulamentos e princípios do programa, terá sempre a participação dos jovens como objectivo central que orienta o sentido profundo da sua intervenção.

7- Qual é a mensagem que pretende deixar a uma associação juvenil que pretenda candidatar-se pela primeira vez ao programa?

 

Que o Erasmus+ é, também para eles. Que a Agência Erasmus+ Juventude em Ação tem as portas abertas para eles e um site com imensa informação à sus disposição – www.juventude.pt – e que estamos certos que depois de realizarem o primeiro projeto financiado pelo Erasmus+ Juventude em Ação não mais desistirão de tentar outros.

Não vai ser tão fácil como parece à primeira vista nem tão difícil como aparenta na leitura do guia oficial. Representará, certamente, um esforço grande que, sendo colectivo, constituirá não só um importante factor de desenvolvimento pessoal mas também um motor de desenvolvimento social.