Uma das primeiras coisas que podemos afirmar ao lançarmo-nos no desafio de elaborar uma nota biográfica sobre o Júlio Oliveira é que, certamente, muita coisa ficará por dizer. Muitas aventuras e aprendizagens ficarão por descrever.
Muitas emoções por evidenciar.
Mas, ainda assim, essa nota biográfica não poderia ficar por fazer. Ainda que seja uma tentativa incompleta sobre uma vivência tão mais recheada. E generosa.

O Júlio é, atualmente, médico de profissão no Sistema Nacional de Saúde, desempenhando funções no IPO do Porto e no Hospital de S. João. A sua pertença associativa começou bem cedo, em Lavra, Matosinhos – de onde é oriundo – através de duas associações: o Clube C+S de
Lavra, onde praticou Atletismo e na ATSVL – Associação de Trabalho Social e Voluntário de Lavra. Assumiu funções de Direção em ambas. Esteve também na Direção do CREFA – Centro Regional de Formação de Animadores – onde deu o seu contributo para o Plano de Formação nesta área e para o desenvolvimento do Estatuto do Animador.

Em 2004, assumiu as funções de Presidente da Direção da FAJDP – Federação das Associações
Juvenis do Distrito do Porto – onde desenvolveu vários projetos e contributos no âmbito das políticas juvenis. Podemos, nesse aspeto, destacar as diversas campanhas itinerantes de promoção da igualdade e luta contra o racismo e xenofobia, o lançamento do 1º EMAX (Encontro e Mostra Associativa Juvenil Norte de Portugal / Galiza) no CACE Cultural do Porto e a construção e inauguração da Casa das Associações, atual sede da FAJDP presente no Centro Histórico do Porto e que funciona como um ninho empresarial para o sector associativo e que alberga atualmente cerca de 15 projetos associativos no seu Ninho das Associações.

De destacar que, ao mesmo tempo que assumia este papel de Dirigente Associativo, prosseguia
com os seus estudos no curso superior de Medicina. Quem o conhece bem e com ele privou nesta altura, recorda-se certamente de um Júlio que com facilidade nos dizia: “Ainda não comi nada hoje!” ou “Estou aqui e só dormi 2 horas!”. Mas não eram queixumes. Apenas constatações de quem arranjava sempre mais uns minutos para rever um texto sobre Políticas de Juventude ou avaliar alguma solicitação
associativa. Dedicação pura.

Em 2010, assumiu a Presidência da Direção da FNAJ – Federação Nacional de Associações Juvenis – onde liderou vários projetos e iniciativas em diversos âmbitos, com destaque para a promoção do associativismo juvenil e a defesa das políticas juvenis com enfoque na
educação não-formal. Assumiu a reflexão e a execução do documento político Declaração de Braga, que explana o planeamento, implementação e avaliação das políticas autárquicas da juventude em Portugal, uma iniciativa que contribuiria depois para a elaboração dos Planos Municipais de Juventude. A iniciativa pública de maior destaque durante a sua presidência foram os ENAJs (Encontro Nacional de Associações Juvenis, com realização anual), sendo estes momentos de partilha e de debate, juntando Associações Juvenis de todo o país e decisores políticos, contando em média com cerca de 1000 participantes. De destacar ainda todo o trabalho desenvolvido e que levou à integração da FNAJ no Conselho Económico e Social, assim como na cogestão da Movijovem – organismo público que gere as Pousadas de Juventude em Portugal.

O Associativismo Juvenil é feito de pessoas. Atores e atrizes disponíveis, dedicados, empenhados. De norte a sul, do litoral ao interior, independentemente de idades, credos, religiões, filiações partidárias, etnias ou nacionalidades.
O critério único é o de querer participar. E o de não deixar ninguém para trás.

O Júlio Oliveira foi uma dessas pessoas. Disponível, dedicado e empenhado, contribuiu de forma inequívoca para o engrandecimento do movimento associativo em Portugal, destacando a FNAJ como uma estrutura fundamental e incontornável na prossecução de Políticas Juvenis e lançando a pedra da Casa das Associações, atual sede da FAJDP, no centro histórico do Porto.

Não fez tudo sozinho. Nenhum Líder o faz.Teve sempre quem o acompanhasse – fosse em lutas, batalhas, festas ou festejos. Mas sem dúvida que dele partiram inúmeras iniciativas, alicerçadas num espírito empreendedor, generoso e disponível.
Obrigado, Júlio.