Sem TítuloA sociedade renovou-se e transformou-se ao longo dos séculos. Hoje, a sua estrutura e normas são bem definidas e precisas, mas, ainda assim, dá espaço à espontaneidade, irreverência e liberdade dos/das seus/suas jovens, como agentes de mudança e futuro. A expressão da Juventude foi assim organizada num movimento que apoia e incentiva a iniciativa e participação dos/das jovens nas suas comunidades. O movimento associativo juvenil, considerado a forma mais espontânea que uma sociedade organizada tem de se exprimir, é uma fonte de experiências únicas, de partilha de boas práticas e de apreensão de inúmeras competências, tendo como método a Educação Não Formal, que o marca e o distingue.

Atualmente, muitos são os/as jovens envolvidos nestas escolas para a cidadania que são as associa- ções juvenis, mas também, são muitos os/as jovens fora do vigente plano de sociedade e por consequência do movimento associativo juvenil. Este paradigma, entre jovens completamente integrados nas suas comunidades e associações juvenis e jovens ausentes das escolas, do emprego e das associações juvenis, desafia o movimento juvenil a reinventar-se e adaptar-se a várias realidades no que à Juventude diz respeito, procurando responder a todas as necessidades e interesses desses jovens invisíveis à sociedade. A promoção da participação cívica dos/das jovens é uma das competências das associações juvenis, que devem reforçar as medidas de inclusão de mais jovens nas suas estruturas e principalmente nos órgãos de decisão e responsabilidade das mesmas. Cabe também às próprias instituições estatais essa mesma inclusão, promovendo um diálogo estruturado e uma cooperação direta com a Juventude. Os/As jovens de hoje querem, para além de usufruir das políticas de juventude, participar no de- bate, na elaboração e na execução destas mesmas políticas. Querem passar de um papel passivo, de meros avaliadores e usufruidores das políticas de juventude, para cidadãos ativos e participativos.

A renovação dos dirigentes associativos deveria ser algo natural e espontâneo que privilegiasse os/as jovens com mérito e capacidade de trabalho, mas, por vezes, esse fenómeno não ocorre com muita expressão. A manutenção dos mesmos agentes, por longos períodos de tempo, pode pôr em risco a vitalidade do movimento associativo juvenil. Nesse sentido, estou convicto de que uma limitação de mandatos para os cargos executivos das estruturas associativas permitiria para além de uma salutar renovação de dirigentes associativos, que haja uma inovação de ideias. Pois, apesar de existirem bons desempenhos de muitos dos agentes na execução dos seus cargos, tal não invalida que outra pessoa, e preferencialmente um/a jovem, possa desempenhar o cargo com a mesma mestria e competência. Todavia, reforço que a intergeracionalidade é fundamental para o movimento associativo, ainda assim, os cargos cimeiros devem privilegiar os/as jovens, uma vez que estas organizações têm por objetivo trabalhar com e para os/as jovens.

As associações juvenis são assim um modelo de Democracia Participativa, cujo principal objetivo é indubitavelmente a promoção da participação cívica e da consciência social da nossa Juventude.

Tiago Rego